sábado, 16 de fevereiro de 2013

#TotZiens


Seis meses? Essa foi a pergunta que eu sempre me fiz desde que decidi encarar essa viagem. Será que é pouco tempo? Será tempo demais? Tanto tempo pra se acostumar à nova vida e, quando finalmente conseguimos, já é hora de refazer as malas e se desapegar daquilo que começou a gostar.

No fim, acho que foi o tempo exato. Vivi e curti o máximo que pude e saí de Leuven e da Bélgica com uma ótima imagem: de um país estranho, curioso, inusitado e cativante, de pessoas diferentes, mais distantes, mas, a seu modo, receptivas e educadas (ok, menos os coleguinhas de classe que não deram muita bola pra gente), e com uma enorme bagagem de cultura, conhecimento e amizades.

Não foram raras as vezes em que agradeci às pessoas do CSF Leuven por me ajudarem a passar muito bem por esse período, longe da famosa zona de conforto #clichê. Mas a verdade é que por mais que eu hoje esteja feliz por voltar pra casa, é muito difícil dizer tchau às pessoas que fizeram desses meus últimos seis meses tão especiais e intensos. Ok, muitos conseguiram me irritar e deixar o meu mau humor mais aflorado. E, no fundo, acho que ninguém mais me dava moral e achava que eu era uma pessoa má... #será?

Apesar dos pesares, vou ter sempre uma lembrança de cada um de vocês: da Laís, tipo 8 que me irritava por gritar com o computador, mas que se tornou minha companheira de viagens, do episódio de friends na hora das refeições que e foi a pessoa com quem eu vi neve pela primeira vez; da Ju e seu eterno estado de carência, chamando todo mundo pra dormir com ela e perguntando se podia contar alguma coisa e contando mesmo que a gente dissesse que não; da Elise que enganou todo mundo com uma imagem de organizada, mas que por mim será sempre lembrada como a nossa líder na primeira semana, que queria resolver todos os pepinos; do Gui, que acompanhava o ritmo da Elise no início, mas que depois se revelou um tipo mais ‘relaxado’ e que me ensinou tudo o que eu sei sobre cervejas feitas em ‘monges’ e com fermentação espontânea, envelhecidas em barris de carvalho...; do Rafa chato, que passou por altos e baixos comigo, mas que sempre foi o meu companheiro de bullying e defensor do melhor estado do Brasil; do Rafa Legal, que por mais que tenha passado mais tempo em Amsterdam do que entre nós, sempre que aparecia, nos lembrava de porque era chamado de legal; da Tati e seu jeito difícil: hora de estudar é hora de estudar! Nunca vou me esquecer do dia em que dormi com você e fiquei com 1/3 da cama – mas com o edredon, porque desse eu não abro mão – nem do sanduíche do subway, que me fez passar de pessoa blasé para uma potencialmente legal; do Pedro e da sua paixão pela Disney, pelo Brasil, pela Neve, pelas iCoisas, pelo vinho do porto, pelo feijão tropeiro... por tudo! Um companheiro de viagem que me fazia rir muito, assim como o Rodrigo. Sempre que ver um preço bom eu vou pensar ‘baratinho’ e lembrar dele. Ou todas as vezes que comprar uma roupa azul. Mas nada melhor do que lembrar das pérolas que soltava, como a cerveja feita no monge ou o recente camelo Alpino. E já que falei de viagens, não posso esquecer do Klayton e da Geruza, que eram fáceis! Toda vez que eu queria sair era só falar com os dois que topavam largar o que quer que fosse (principalmente estudos) pra ir junto. Sem falar dos esportes, com a gente se matando nas aulas de esgrima, taekwondo, judô, tênis... e falta o Matheuxx, porra! Cara, o único carioca que não me irrita, caralho. Meu assessor de eventos, que todo dia chamava pra festa e chegava com um amigo internacional novo. Nem há como esquecer da nossa teacher de inglês se esforçando pra falar Matheuxxx? Impossível, indeed.

Cada um ao seu modo, cada um ao seu tempo... aqui fica o meu agradecimento pela amizade e pelos bons momentos passados juntos, seja no 3.19, no telhado ou nos trens! Na minha mesa ficou o meu testamento, com algumas das minhas tralhas que não couberam na mala: uma forma de vocês não se esquecerem de mim!

Mas será esse o fim do blog? Talvez sim, talvez não. Espero ter tempo ainda de falar sobre o Marrocos. Inshalláh. E das coisas curiosas que descobri na Bélgica.

Mas vamos dizer que esse seja o post final do blog. Le Passepartout: Passepartout, pra quem não sabe, era o criado de Phileas Fogg, recém contratado quando o seu patrão decidiu aceitar o desafio e dar a volta ao mundo em 80 dias. É de Jules Verne, do livro "A Volta ao Mundo em 80 Dias", o trecho que sempre ficou estampado na capa do blog e que motivou o início dessa jornada e é dele também o trecho que a encerra:
"Au fond je crois que la terre est ronde, pour une seule bonne raison, après avoir fait le tour du monde, tous ce qu'on veut c'est être à la maison..."
Sim, a gente descobre que a Terra é realmente redonda quando depois de viajar milhas e milhas, o que você mais quer é voltar pra casa!

Tot Ziens.
Au revoir.
Arrivederci.
Adios.
CYA.
#partiu

You may say goodbye, but I say hello! =)

domingo, 3 de fevereiro de 2013

#WeAreOHL


O que eu queria mesmo era estar hoje reinauguração do Mineirão e assistir ao clássico. Mas, na impossibilidade de estar lá, fui afogar as mágoas assistindo um jogo da liga belga. Pro Jupiler League: Oud-Heverlee Leuven X S.C. Charleroi (cidade que a gente só conhece porque é a base de operações da Ryanair aqui na Bélgica).

A verdade é que desde que cheguei aqui pensei em ir assistir a algum jogo de futebol, mas jogo bom ou é muito, muito caro, ou está esgotado há muitos, muitos meses. Minha única alternativa foi, então, ver um jogo do OHL. No final das contas, deixou de ser apenas uma última opção: eu queria realmente ver um jogo deles porque a cidade sempre fica movimentada em dias de jogos, com gente feliz andando com cachecóis e bandeiras do time e é muito bonito ver o estádio todo iluminado do meu telhado e ouvir o barulho da torcida.

E lá fomos nós: Eu, Tati, Júlia, Elise e Mathias (irmão da Elise, nerd também!). Comprei os ingressos de manhã com uma dor no coração (afinal, foram 15 euros pra ficar em pé) e saí correndo pra ir viajar. 

(essa parte é um detalhe que eu não queria deixar passar despercebido)
Fui pra Poperinge com o Pedro, Klayton, Rafa Legal, Geruza e boyfriend, uma cidade longe pra burro e que me fez pensar que a Bélgica era bem maior do que eu pensava – foram 3 horas de trem pra chegar lá, em West Flanders, bem na fronteira com a França, numa cidade que é menor que Abaeté. O que eu fui fazer lá? Conhecer a melhor cerveja do mundo, fabricada em um mosteiro (ou como diria o Rodrigo, dentro do Monge) e que só é vendida lá e com várias restrições chatas. Mas eu não bebo cerveja, né? Fui lá só pela curiosidade e pra tentar comprar uma garrafinha pra levar pra Priscila (apaixonou com as cervejas belgas). Mas, pelo menos pra mim, a viagem foi perdida. Chegando lá, umas 14h, ligamos para o moço do ônibus que faz o transporte até o lugar, mas descobrimos que é preciso reservar com 2h de antecedência. Pra completar nossa falta de sorte, não tem taxi na cidade: a mulher pra quem a gente perguntou riu na nossa cara quando perguntamos onde dava pra pegar um. Resultado: eu, que não podia demorar muito porque tinha que pegar minhas 3h de trem e chegar a tempo do jogo, fiquei vagando e conhecendo igrejas na cidade, enquanto os outros foram andando 8km até o bendito lugar... Aposto que tudo foi praga do Gui, que ficou atiçando a gente por 5 meses pra ir lá e na última hora não foi.





Igrejas pelo caminho e um bar legal.

Depois desse pequeno relato sobre minha viagem frustrada, bora falar do jogo. Ou melhor, da pelada!!! Passamos o primeiro tempo todo rindo dos times, que não tinham nenhum esquema tático e que em toda cobrança de escanteio TODOS os jogadores ficavam dentro da grande área (que não era grande, porque o campo era minúsculo!), sem nem uma chancezinha de contra-ataque.

Gente, o Biro-Biro joga no Charleroi! Detalhe para o detalhe de zebra na camisa laranja-marca-texto do time.


Depois de um péssimo primeiro tempo, passamos o ‘show do intervalo’ na fila pra comprar um curryworst, que não tinha curry. Voltamos para o estádio e terminamos de comer numa sala fechada, mas que dava pra ver todo o campo e bem na hora em que decidimos virar pra voltar pro meio da galera, a gente perde o momento ápice do jogo: o gol! Brincadeira, né? Mas depois disso o jogo até melhorou. Descobri que o craque do time era o Tchutchuca Chuka e que tinha um tal de Kenny que era realmente muito bom. Deu vários dribles na nossa frente e que conseguiu ocupar todas as posições dentro de campo! Descobri depois que ele era zagueiro.  

Momento merchan: Begijnhof Hotel.


No fim, o OHL, depois de 11 rodadas sem vencer, surpreendeu a todos com uma apertada vitória por 1x0 e se mantém na décima posição. E, posso falar? A torcida me fez gostar muito do time. Quando não tiver jogo do Galo vou procurar um jogo deles pra assistir e cantar C’mon, C’mon Leuven! 

Souvenir!!! Meu novo cachecol: WE ARE OHL! =D

E essa é a música que embala a torcida do OHL: Sweeeeet Caroline! OH OH OHH!!



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

#DogDaysAreOver

Reconhecem?



Foi ao som dessa música que em dezembro eu recebi o meu falso diploma. Mal sabia eu que muitos outros dias de cão estavam por vir. Ou melhor, um mês inteiro. Mas, finalmente, já no final dessa sexta-feira, primeiro dia de fevereiro, posso dizer: THE DOG DAYS ARE OVER!

Ao longo de 4 semanas, foram 7 provas orais, com 6 professores diferentes, 4 encontros com o Bart (a matemática não bate?!), muitos coleguinhas belgas de terno e gravata e uma nova coleção de souvenirs na minha parede: Comprovantes de prova. Para quem sabe da minha paixão por souvenirs, isso é uma prova irrefutável de como janeiro não foi um mês legal.

O estado da minha mesa depois de janeiro. Na parede, meus troféus! #sóquenão


Mas, entre mortos e feridos, eu SOBREVIVI. Não fiz as melhores provas da minha vida, mas saí delas com a consciência de que não tive de parar de viver e comer como os belgas fizeram, com um elogio à minha caligrafia e tendo feito o Bart rir, me dizer que era uma pena eu já estar indo embora e se oferecendo pra me ajudar com qualquer coisa que eu precisar! #tãofofinho (será que ele me dá emprego?)

E agora é hora de tirar o atraso! Conhecer o que ainda for possível na Bélgica e mergulhar no mundo da Jade! O Marrocos que se prepare, estou indo com tudo! Depois de ser tratada como um camelo, sacrificada como um carneiro e de ser pisada como um tapetinho, vou fazer exposição da minha figura pela Medina! E que Alah me perdoe por cometer um haram: Jogarei minha sorte ao vento, serei como uma dessas odaliscas espetaculosas sem medo de arder no Mármore do Inferno. E quem sabe ainda não encontre por lá um marido rico pra me dar muito ouro, inshallah!

Assalamu Alaikum.


Palavras do sábio Tio Ali:
"Tudo que acontece uma vez, pode não acontecer mais, mas tudo que acontece duas vezes vai acontecer uma terceira."

sábado, 19 de janeiro de 2013

# -24days

IN BOCCA AL LUPO!

E cá estou novamente, com certo atraso, eu sei. Este deveria ser o post de 5 meses, dedicado a relembrar o que fiz no último mês... mas é também o mês da despedida. Então, vamos de início da contagem regressiva: faltam 24 dias! (se eu não mudar a data da minha passagem de retorno).

24 dias que passarão voando, pois afinal chegou a hora de estudar – e isso explica o subtítulo deste post: mais do que falar dos meus últimos dias aqui, vou reclamar que passarei por eles estudando.

Pois é, enquanto todo mundo no Brasil está curtindo as férias e postando fotos na praia, eu estou aqui, dentro de casa, receosa de sair e enfrentar os muitos graus negativos lá fora (#drama, chegou no mínimo a -9ºC), e tentando decorar tudo o que foi dado em um semestre. Das minhas 7 matérias! #loucura

Quem geralmente conversa comigo sabe como eu odiei o sistema de ensino belga. De verdade, é insano! Pra começar, as aulas são aquelas coisas chatas e monótonas: professor apresenta seus slides, alunos escutam, belgas anotam cada hora que o professor respira e pronto. Próxima! Nada de perguntas, nada de interação. É o professor SOBRENOME no palco e os alunos na plateia. E passa assim o semestre todo. Até que chega janeiro! Ahhh, no sistema louco deles, é tudo ou nada: você faz uma prova e pronto. #belgaspiram

Quem diria, não é mesmo? Eu reclamando por falta de provas. Mas acho que qualquer pessoa minimamente racional há de convir que jogar toda a sua sorte numa única tacada é missão suicida. E pra ‘melhorar’: as provas são orais. Vai lá, mostrar na cara do professor que você não é uma toupeira e que aprendeu tudo. E repito: TUDO!

Não bastava a avaliação ser única, o sistema ainda não mede a capacidade de raciocínio do aluno, só a memória. Foi essa a conclusão que eu tive diante dos dois primeiros exames que fiz: Em Air Pollution and Control, por exemplo, por que dar uma situação hipotética e perguntar ao aluno que tipo de equipamento ele usaria e o porquê se você pode perguntar sobre o funcionamento detalhado de um tubo de Pitot? Realmente, foi pra isso que eu estudei. #soquenão E esperam que você saiba fórmulas by heart e valores de coeficientes, mesmo que sejam empíricos! Tá explicado porque todos os belgas estão pirados nesse mês, te desejaram good exams ao invés de happy new year e ficam na porta da biblioteca fazendo fila antes dela abrir!!! Pior que fila do Magazine Luiza em dia de Saldão da Madrugada.

E os brasileiros no meio disso tudo? Estudando, reclamando e surtando.  Se para os belgas, que já estão acostumados com isso, é difícil, imagine para os estrangeiros, que têm que fazer prova numa língua que não é a deles, num sistema diferente do que estão acostumados, sofrendo com as intempéries e sem o apoio de família e amigos por perto. Alguns conseguem tirar de letra, já outros... estão morrendo de saudade da faculdade do Brasil!

Do meu lado, posso dizer que já passei por duas provas, com três professores diferentes. Um se revelou um lobo em pelo de cordeiro (#malditoTom), o outro me fez apresentar um seminário exclusivo e me surpreendeu com algumas perguntinhas (#malditoBSC) e o Bart, que eu achava que seria do tipo Snape, foi simpático, acreditam? Quando terminamos a prova, me perguntou o que eu tinha achado, se tinha mais provas... Virei pra ele e disse: “Yes, six more, and three of them with you again!” “Oh, you are taking all my courses… Well, I’m sorry to make you study in January. And Good Luck!” #vouprecisar.

Tendo já reclamado bastante, hora de partir, pois 5 outras provas me esperam pelo caminho. E se os próprios belgas ficam espantados com esse número é porque a coisa tá feia.

E que o próximo post seja intitulado #sobrevivi! #heroisdoBBBquenada

CREPI (al lupo)!

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

#2012>>2013


Mais um ano. Ou, numa visão mais pessimista, menos um! A verdade é que 2012 foi um ano completamente inesperado. A única certeza que eu tinha na passagem de 2011-2012 era de que eu acabaria formada. É, nem isso aconteceu. Ou melhor, em parte: só falta mesmo o diploma e duas ou três disciplinas. A missa já foi. Colação também. Festa, oh, se foi! E o mais triste: se foram as aulas legais, com caras legais, com papos legais... porque o que a gente menos fazia lá era Engenharia, né?

E o que veio no lugar? Veio tia Dilma. Veio uma viagem inesperada. Veio um grupo de pessoas estranhas. Não pensem mal de mim: estranho às vezes é bom! E nesse caso também foi. Tudo bem que no início alguns não gostavam de mim, ou porque eu era na minha ou fazia graça com o sotaque dos outros, e diziam que eu era blasé... até o dia em que ofereci um resto de sanduíche do Subway. Viu, a magia está nas coisas simples da vida!

Mas se a minha vida fosse contada pelo Facebook, é bem provável dizerem que eu vivi muito mais nesse ano do que nos anteriores. Bom, pelo menos são desse ano a grande maioria das fotos. E olhe que eu nem gosto de publicá-las: prefiro deixar só os outros me marcando. As minhas fotos e minhas impressões resolvi guardar no blog, uma ideia que roubei dos amigos que saíram de intercâmbio e que depois acabou virando moda por aqui. #gabifazendomodanaEuropa

E já que falei em moda, só mesmo no ano em que o mundo estava destinado a acabar pra eu usar uma calça rosa e querer comprar uma verde e uma vermelha (mas não a amarela mostarda). Modas europeias pegam. Menos a de não tomar banho, ‘Graças a Deus’! Mas alguns aqui se simpatizaram com ela. Alguém diria que 56 horas sem banho é muita coisa?

Mas, entre aulas chatas de filosofia, para a qual fui empurrada (e da qual saí ainda em tempo), e aulas com o Bart, repetidas vezes na semana, com aquela mesma camisa roxa, falando das mesmas coisas e em disciplinas diferentes, sobrevivi. No início, tendo mais sono que o comum. Até que resolvi adotar o meu comportamento em aulas no Brasil: socializar! Tudo fica tão mais divertido! O sono até passava.

Mas êta lugar pra dar sono. Essa Europa no inverno é uma coisa deprimente. Se fosse só o frio, eu nem me importava. Mas o problema é que a paisagem é feia e chove. CHOVE MUITO. E eu detesto chuva. Ainda mais que ela sempre me paga quando saio de casa. E o tempo muda aqui com uma rapidez! Do dia bonito pro feio, claro. Não foram raras as vezes em que acordei, olhei pela janela e pensei: oba, não está chovendo e o sol está até aparecendo. Bastava eu descer pra tomar café que tudo escurecia. E tudo escurece muito cedo. Oh boca maldita que reclamou que o dia aqui só acabava às 22h em agosto. Agora já fica escuro às 16h... e olha que só amanhece às 9h. Assim não dá. Não dá vontade de sair de casa, só de dormir. Mas como vou viajar?

Viajar... viajar foi algo que fiz bastante aqui. Com a família, com a ‘galerinha da facul’, com os novos colegas, sozinha .... Até que orçamento apertou – nessa semana. Mas e agora, como ficam meus planos pra 2013?

A curto prazo, a ideia é fazer um regime e engordar o porquinho pra chorar as mágoas em outro cenário depois do desastre das provas de janeiro. Previsto com antecedência, claro, já que até hoje nem comecei a pensar nelas. Mas eu prefiro surpresas. Quem sabe não vem uma boa? #FimDeAnoÉIgualAEsperança

De mais, vou usar o cliché do Zeca e deixar a vida me levar, pra onde ela quiser. Se quiser que dessa vez eu bata a meta de leitura, que seja! Nada de pressão... Live and let live!

Pensando bem: eu tenho uma meta sim: me formar de verdade e torcer pra crise não me atrapalhar. E seja o que a Dilma quiser! =)

Happy New Year!

Réveillon no telhado... #EuEMinhaCalçaBelgaChiqueBebendoChampagne
 #TatiDançandoÉOTchan #GeruzaDementador #RodrigoPoseDeGalã 
#AdrianaLouca #EliseCaindo #JúliaCarente #RafaSumidoApareceu
#RafaFotogênico #GuiAgoraNãoSeEscondeuAtrásDoChapéu #CadêOPaiDaJu?
 #QueOsBelgasNãoTenhamVisto


"(...) E agora eu era um louco a perguntar: O que é que a vida vai fazer de mim?"


sábado, 29 de dezembro de 2012

#Spa-Francorchamps


Antes de começar, gostaria de agradecer ao Brunín que, involuntariamente, me incentivou a ir conhecer Spa-Francorchamps! =)

E foi assim que tudo começou: Acordei anteontem às 12h30 e pensei que não ia dar tempo de viajar mais... e então comecei a pensar, pra onde irei amanhã? Sem ter resposta, fui dar uma passeada pelo Twitter. Tava à toa e com preguiça de arrumar o pardieiro que eu chamo de casa (e que estava um pouco mais bagunçado que o normal depois do Natal). Vasculhando uns tweets antigos, me deparei com a seguinte conversa:

@ofrango Hoje tem GP da Bélgica? Sabe onde é?

@gasoares É em Spa-Francorchamps

@gasoares perto das cidades de Spa, Stavelot e Malmedy, na província de Liège, nas Ardenas #wikipedia

Taí! Perdi a corrida, mas ainda posso aproveitar que estou aqui pra visitar! Bom, foi quase isso. Fiquei bem triste, na verdade, ao descobrir que só há tour no circuito durante a temporada da F1 (março a novembro). A vontade de me matar por ter estado aqui de agosto a novembro e não ter tido essa brilhante ideia passou um pouco quando vi que havia um museu do circuito, em Stavelot (uma bostinha de nada no meio da Valônia!).

E eis que lá fui eu, forever alone e de madrugada (saí de casa 8h e estava escuro ainda!), pegar dois trens e um ônibus pra chegar no bendito lugar! Mas cheguei.

Abbaye de Stavelot
O museu do Circuito de Spa-Francorchamps fica na Abadia de Stavelot (Abbaye de Stavelot), um dos monastérios mais antigos da Bélgica e que também abriga o Museu histórico da região de Stavelot-Malmedy, o Museu Guillaume Apollinaire e atualmente a exposição Chocol@tes.

Paguei pra ver tudo no museu e até tentei, começando pela história da região e aprendendo tudo sobre um tal Wibald, um abade belga importante lá pelo século XII, mas o que eu queria mesmo era ver F1! Larguei a exposição pela metade, desci as escadarias e Voilà!

Só pra dar um gostinho!
Ali estava a história daquele que é considerado por muitos pilotos como “o circuito mais bonito do mundo”, inclusive pelo próprio Michael Schumacher, cuja frase decora o chão do hall de entrada. Uma grande exposição de carros de diversas categorias é o que se pode apreciar durante a visita, juntamente com fotos de momentos memoráveis do circuito, imagens de personagens que aí fizeram história e as próprias mudanças pelas quais passou o circuito ao longo desses 91 anos.

Formula Ford 1987

Dallara F396 1998; Bowman Formula 3 1992; Lola T292 1972.
Porsche 917K 1970. O que a Família Schumacher faz ali ao fundo??
Pois é, tem corrida de bicicleta!
Yamaha TZ 1976 e um protótipo de 1986.
Um monte de carros e motos!
Ferrari F40 1989. Essa nasceu junto comigo!

Apesar de ser o berço de várias categorias, o lugar é famoso mesmo pela Fórmula 1 – e talvez por isso grande parte do museu seja dedicado a explicar as partes mais importantes de um carro de F1 e a evolução ao longo dos anos.

E tudo começa pelo chassi: vèramente o esqueleto do carro, onde tudo se apoia: motor, suspensão, caixa de câmbio, carroceria... Com os chamados chassis monocoque, estrutura e carroceria se fundem em uma única peça, que lá no início era feita de aço. Depois disso, veio o chamado chassi tubular, que usava tubos metálicos mais leves soldados, primeiro em carros de competição e depois na produção de carros em série. Em 1962, um tal Chapman revoluciona o mundo automobilístico, usando novamente o chassi monocoque na sua Lotus 25, só que agora, tudo era de chapa de alumínio rebitado – bem mais leve. Além disso, chassi, componentes mecânicos e carroceria como uma única peça e moldável, permitiu a construção de uma carroceria bem mais aerodinâmica. O negócio era então mais resistente a deformação e mais leve que os modelos tubulares. #belasacada.

Cockpit antigo.
Depois do chassi, pneus!!! Todo fã de F1 sabe como essa questão é complicada... e a FIA tem sempre que meter o dedo pra atrapalhar tudo: só um fornecedor, dois tipos de pneu por corrida... Só esquecem de perguntar para os pilotos, maiores interessados, afinal, o pneu é o melhor amigo dele: essencial para o desempenho do carro, pra se manter na pista e pra sua segurança.

Os pneus foram inventados em 1888 por Dunlop, que introduziu uma carcaça de fios entrelaçados numa peça de borracha – nasceu assim o primeiro pneu a estrutura metálica! Pra satisfazer as exigências cada vez maiores das competições, os pneus são continuamente modificados quanto à química da borracha, o desenho, a largura e mesmo o peso das rodas. Como diria Gary Anderson: “Os pneus ditam tudo, se você não é bom para eles e exigir-lhes demais, você pode ter certeza de que terá problemas. É preciso monitorar, é disso que é preciso”.

Pra aguentar o tempo aqui, só com um bom pneu de chuva!

Já que falei de pneus, hora de introduzir a história dos pit-stops! Eu não fazia ideia disso, mas a ideia da parada no meio da corrida veio de um incidente com o Alain Prost. Em 25 de janeiro de 1982, no circuito de Kyalami, na África do Sul, o pneu do Alain Prost furou e ele fez uma parada para troca. Com isso, ficou a uma volta do líder. Mas, porém, contudo, entretanto, de posse de pneus novos e com uma melhor aderência à pista, Prost fez uma corrida de recuperação e terminou com o caneco na mão. E foi assim que Bernie Ecclestone introduziu nas corridas os pit-stops, permitindo a troca e a utilização de pneus de alto desempenho, mas de vida útil reduzida, e também o reabastecimento, de modo que agora os carros podiam entrar na corrida mais leves. O mais legal de tudo é saber que eles se tornaram a parte principal da estratégia de corrida, principalmente nesses últimos anos da Fórmula 1.

Curiosidade: para um pit-stop convencional (com troca de pneus e reabastecimento), são necessárias 29 pessoas: 12 mecânicos para trocar os pneus (três para cada, sendo um o “Gun man”, que cuida de desaparafusar e parafusar os pneus, um cara pra tirar o pneu velho e outro pra colocar o novo), 2 para levantar o carro, dois para reabastecer, 2 para limpar as entradas de ar dos radiadores, 1 pra cuidar da plaquinha que fica na frente do piloto (Lollilop Man), mudando de <<Breaks On>> pra <<First Gear>>, 1 pra limpar o visor do capacete do piloto e 1 técnico de vigília com um extintor de incêndio (e sempre que ele tem que entrar em ação é uma emoção à parte!).

Quando eu falei do chassi, mencionei a importância que o estudo da aerodinâmica da carroceria foi ganhando com os anos. A ideia é diminuir a resistência do ar e, com isso, a força contrária ao movimento e o consumo de combustível. Esses estudos começaram mesmo só em 1945, e só nos últimos anos é que o negócio avançou mesmo, com a utilização dos túneis de vento pra estudar o comportamento do carro. Os aerofólios, por exemplo, só foram ser usados em 1968, nos carros da Brabham, da Ferrari e da Lotus, pra literalmente segurar os carros na pista – em lá pro final dos anos 70 tornaram-se obrigatórios por medida de segurança. Agora, a forma cada um inventa uma...

Mas tem coisa que não dá certo, né? O chamado <<wing car>>  surgiu por ideia daquele mesmo Chapman da Lotus, em 1975, que percebeu que o mesmo efeito conseguido pelos aerofólios (de manter o carro no chão) poderia ser conseguido se o formato da carroceria fosse de uma asa invertida. O que ele fez? Abaixou o chassi e colocou o que eles chamaram de saias na base, de modo a canalizar o ar. Assim, à medida que a corrente de ar de acelera por baixo do carro, há uma queda de pressão que cria um efeito de aspiração. Com o carro colado no chão, o piloto pode fazer curvas em velocidades maiores. O único problema é que se esse efeito sumir, o carro corre o risco de decolar! E foi isso que causou a morte de Gilles Villeneuve em 1982 e acabou por proibir as tais saias.

Bom, mas de nada adianta tudo isso se o motor não for bom! A primeira ideia pra se melhorar os motores é, logicamente, aumentar o número de cilindros – com o pequeno inconveniente do aumento no volume do motor e do carro! Uma das maiores inovações, acredite, foi colocar o motor atrás do carro! Isso lá pelos anos 50 foi um baita de um avanço, pois aumentou a maleabilidade e permitiu uma melhoria também de aerodinâmica. Mas a pesquisa continua (e a briga dos fornecedores também), na tentativa de melhorar o desempenho, seja através do controle eletrônico, utilização de outros metais ou materiais especiais para a construção, ou mesmo achando a melhor mistura de combustível.

E por mais que algumas temporadas tivessem nos mostrado que a máquina era o elemento mais importante, a F1 volta um pouco no tempo pra mostrar que o piloto ainda faz a diferença. E apesar de ganhar rios de dinheiro, eles sofrem! Quem é que nunca ouviu o Galvão falar da bendita força G? Puxa pra cá, empurra pra lá... torcicolo é o de menos! Some a isso o stress, a alta temperatura no cockpit, os efeitos que acelerações e freadas consecutivas podem ter no organismo, na visão... Só com um bom preparo físico. E pra desempenhar bem o trabalho, ainda bem que eles contam com muitos equipamentos: o que começou com um boné de couro e óculos se transformaram em um capacete rígido que protege toda a cabeça do piloto – o que só foi conseguido com greve e muita reclamação por parte dos pilotos.

Hall da Fama?
E já que falei em pilotos... o museu tem uma sessão especial de tributo àqueles que marcaram época no circuito de Spa. Fiquei bem feliz de ver o Senna lá! Seu rosto está lá estampado junto com um resumo do seu currículo: uma trajetória incrível no automobilismo. A última frase abaixo de sua foto inclusive diz que ele é talvez, o piloto mais audacioso de todo o automobilismo. #orgulho. E está lá, ao lado de Alain Prost, Michael Schumacher e Jackie Stewart.

Em outra sessão, voilà o Senna de novo, ressaltando o seu tricampeonato e suas 41 vitórias na carreira, ao lado do Rubinho, que fez em Spa-Francorchamps a sua corrida de número 300, que o colocou na história como o piloto com o maior número de corridas (como eterna fã e defensora do Rubinho, podia ficar aqui falando por horas, mas é melhor não perder o foco!). Lá pertinho, alguns pilotos da Ferrari, com o Massa sendo descrito como detentor de numerosas vitórias e poles #informaçãoútil.

Rubens Barrichello comemorou a marca de 300 GPs em Spa, onde conseguiu a primeira pole da carreira. Ayrton Senna, tricampeão mundial, é o segundo maior vencedor da pista, com 4 vitórias.

Ferraristas.
Só não falei mesmo do circuito, né? Que coisa! A gente começa a conhecer o circuito de carona com Emerson Fittipaldi #galvãofeelings. Através de uma volta gravada pelo Emerson em 2012, conhecemos cada trecho do circuito e descobrimos o nome de cada uma das suas curvas. Não achei o vídeo, mas esse daqui é bem legal pra conhecer a pista:




O circuito fica na região de Ardennes, a mais bela da Bélgica, e, apesar de ter ficado pronto em 1921 para a sua primeira corrida, só foi usado no ano seguinte – para aquela primeira corrida só houve um único carro inscrito! As 24 horas de Framcorchamps começaram lá em 1924 e em 1925 o circuito foi o palco do Gran Prix Europeu. Mas aí veio a guerra e o circuito ficou parado por um bom tempo. Voltou por volta de 1947 e em 1970 viu a última corrida de Fórmula 1 no circuito original. A pista com 14km era de alta velocidade e com o crescente desempenho dos carros, oferecia muito risco aos pilotos. A situação se tornou insustentável, com vários acidentes acontecendo e pilotos afirmando que não mais correriam aí e foi assim que o traçado original foi mudado. As partes mais perigosas do circuito foram removidas e em 1979, a pista com 7km foi então inaugurada. Mais técnica e oferecendo mais áreas limpas, a pista manteve características do traçado original, mas com mais segurança para os pilotos e mais appeal aos espectadores. E foi assim que o GP da Bélgica voltou a fazer parte do calendário da Fórmula 1 e colocando esse pedacinho de nada do país no mapa internacional.

Na impossibilidade de ver o circuito original, tenho que me contentar com a maquete.


INFORMAÇÕES ÚTEIS:

Nome do circuito:
Circuit de Spa-Francorchamps
Primeiro GP:
1950
Número de voltas:
44
Comprimento da pista:
7.004 km
Distância da corrida:
308.052 km
Record da pista:
1:47.263 - S Vettel (2009)


Maiores vencedores:

Número de vitórias
Piloto
Anos
6
ALE Michael Schumacher
1992, 1995, 1996, 1997, 2001, 2002
5
BRA Ayrton Senna
1985, 1988, 1989, 1990, 1991
4
GBR Jim Clark
1962, 1963, 1964, 1965
FIN Kimi Räikkönen
2004, 2005, 2007, 2009
3
ARG Juan Manuel Fangio
1950, 1954, 1955
GBR Damon Hill
1993, 1994, 1998


Pra terminar, um joguinho!

Eu de Barrichello na Ferrari! #atual
“Larguei em último, tive um problema ainda na largada e tive que fazer uma corrida de recuperação. Acho que o 4º lugar foi um bom resultado. Fiz muitas ultrapassagens por fora e poderia ter tido uma colocação melhor, não fossem alguns problemas no carro, que saía um pouco de frente e, como a área de escape nas curvas 2 e 7 era pequena, acabei na brita. Mas foi um bom resultado e mostra que temos condição de lutar por melhores posições” 

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

#December25th



Era dia 23 e eu não estava em Abaeté. Não montei a árvore de Natal, como faço todos os anos. Nem fiz aquela tradicional torta de biscoito champagne – nem inventei moda tentando colocar abacaxi e coco.

Era dia 24 e não acordei ansiosa pensando nos presentes que iria ganhar. E dar. Não senti aquela sensação de felicidade ao acertar na escolha do presente. Nem aquela surpresa ao receber um presente inusitado. Ou a alegria em receber aquilo que sabia que iria ganhar – porque me contaram antes ou porque espiei antes da hora.

Era ainda dia 24 e não saí com pressa e estressada em busca daquele presente que faltou. Não pensei na roupa que usaria à noite nem atormentei a todos com isso. Não encontrei pessoas que há exato um ano não via. Não saí de uma casa cheia de gente pra outra com tantas outras. Não passei a meia-noite nessa segunda casa nem desejei Feliz Natal a todos. Não voltei à primeira casa para agora desejar um Feliz Natal àqueles que não estavam ao meu lado na passagem do dia 25. Não cheguei em casa de madrugada nem dei um beijo de boa noite e desejei Feliz Natal às pessoas que mais amo. Não fui dormir pensando no dia alegre que se passou nem fiquei imaginando o almoço do dia seguinte.

Apesar de hoje ser dia 25, não é Natal. Simplesmente porque não estou rodeada pela minha família. Porque foi isso que me ensinaram que era o Natal. Família. Todos reunidos e com um único sentimento: felicidade por estarmos juntos. Talvez só hoje, que não tenho isso, seja plenamente capaz de dizer que esse é o espírito do Natal. O meu Natal, que vivo desde muito pequena, dividida entre duas casas, amando cada uma delas de um jeito especial.

Não é Natal, mas ainda assim, um dia especial. Especial porque pessoas o fizeram assim: Rodrigo, Rafa Legal, Jú, Klayton, Lorena, Ana, Adriana, Gabi e Matheus. Especial porque um simples telefonema tem esse poder, de transformar uma noite comum, ou mesmo triste por tantas coisas que não aconteceram, em inesquecível. Porque pessoas muito importantes estão sempre comigo. Mãe, Pri e Bruno. Só de ouvir a voz de vocês, o mundo se transforma. Lembranças vem à tona e transbordam os sentimentos.

Pode até não ser Natal, mas uma coisa é certa: a distância não impede que nossa árvore de Natal seja montada, que os presentes sejam distribuídos, ainda que em outras datas; não impede reencontros nem que os votos de felicidades cheguem àqueles que amamos. Impede beijos e abraços, sim. Olhos nos olhos. Mas esses logo virão!

Feliz Natal.

Prettige feestdagen!